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Logística
A
verdadeira ordem dos processos
Fernando Neres
Gonçalves
Consultor sênior - Qualilog
19/01/2006
O
ambiente de mudanças pelas quais passam as indústrias
brasileiras, com inserção constante de novidades,
esconde um pano de fundo que muitos ignoram e outros,
menos realistas, desviam de seu foco de atenção de um
pormenor importantíssimo, o nível de relacionamento
com os elos de sua Cadeia de Suprimentos. Aqui me
refiro aos processos de gestão, sejam em novas
ferramentas tecnológicas, ou ainda em novos focos de
atuação para os profissionais ligados às áreas de
Logística e Supply Chain.
Muito
do que resulta de uma análise como “pouco
eficiente” ou “barreira” em relação à
gestão da cadeia e da demanda advém das raízes da
própria cultura, na relação fornecedor-cliente. Para o
cliente, exigir cada vez mais qualidade de seus
fornecedores é lugar comum, apoiado pelas crescentes
exigências das novas práticas de busca de qualidade e
otimização de processos (“Just-in-Time”, QS, QR,
Controle Estatístico de Processo, “Lean Manufacturing”,
“Kanban”, entre outras), notadamente nos serviços de
Distribuição e Manufatura.
Principais processos de negócios que dizem respeito
ao Supply Chain Management
1. Relacionamento com os clientes e fornecedores
2. Critérios para nível de serviço
3. Administração da demanda
4. Atendimento de pedidos no prazo
5. Administração do fluxo da produção
6. Negociação de compras e suprimentos
7. Desenvolvimento de novos produtos para o mercado
A
contrapartida da indústria em se comprometer com o
desenvolvimento de seus fornecedores, como verdadeiros
parceiros comerciais, integrando-os verdadeiramente em
seus processos de negócios; no desenvolvimento de
novos produtos e serviços com padrões confiáveis na
escolha dos materiais e normatização; flexibilidade e
rapidez nos processos de manufatura, além da
eficiência na entrega, têm se mostrado muito tímidas
na grande maioria dos casos.
É
importante refletir em relação ao verdadeiro
significado de “parceiro de negócios”, tirando o
brilho dos conceitos fartamente divulgados, as
vantagens competitivas e suas implicações para o
aproveitamento de economias de escala, mas também por
melhores resultados de todos os componentes dos fluxos
da Cadeia Logística e a lucratividade e eficiência das
empresas que já adotaram essa prática.
O que
significa assumir em suas mãos o desenvolvimento de
simples fornecedores em leais e confiáveis parceiros
de negócios?
Para
responder a essas questões, faz-se necessário avaliar
em quais bases o relacionamento atual está
alicerçado:
-
Qual o tempo de relacionamento e negociação com o
fornecedor?
– As transações devem possuir um escopo que fuja do
curto prazo, garantindo um processo de contínua
adequação e com possibilidades de investimento de
ambos os lados nesse relacionamento estável.
-
Há outras empresas envolvidas no nível transacional
ou operacional?
(uma transportadora esporádica ou um
industrializador backup, por exemplo) – Apesar de
necessidades momentâneas, essas empresas devem estar
envolvidas efetivamente com qualidade e velocidade
de reação necessárias na entrega de nível de serviço
superior.
-
Como se resolvem os conflitos e os problemas, dos
mais comuns aos mais complexos?
– Requer, em qualquer dos casos, uma base de
confiança mútua e esforços conjuntos na manutenção e
no alcance de novas metas.
-
Qual a interação das partes nas suas comunicações e
trocas de informações?
Não somente se deve ater às informações que seguem
um fluxo formal, na maioria dos casos, o aspecto
informal define em quais bases a real integração
entre as partes se realiza. Por exemplo, um
funcionário do cliente que não trate corretamente,
ou no prazo, as informações geradas pelo fornecedor
e cobradas pela empresa cliente, é um foco de
ineficiência para toda a cadeia.
-
Qual a colaboração no planejamento de atividades e a
cooperação nas ações?
– O planejamento e execução devem se dar por etapas,
definidas por projetos específicos, ao longo do
tempo, para que a colaboração e as ações sejam
integradas.
-
Qual o tipo de mensuração de performance?
– A avaliação não pode se dar somente
em uma única direção; fornecedor e clientes têm que
se avaliar mutuamente, por meio de indicadores
pré-definidos, controlando efetivamente os processos
de negócios e fornecendo feedback para readequações
necessárias, cabendo ao cliente a coordenação
efetiva desse processo.
-
Qual o poder decisório destinado a cada parte?
– A parceria comercial gera uma interdependência
crescente e, conseqüentemente, zonas de conflito e
trade-offs na gestão das atividades.
Resolvê-los de forma tranqüila de parte a parte é
uma arte a ser refinada com o tempo e com a
confiança. Solucionada essa etapa, poderemos
denominar com mais exatidão, esses parceiros de
negócios como estratégicos.
-
Como estão divididos os riscos e benefícios?
– Deve haver condições pré-estabelecidas para que
haja compensações para equilíbrio da parceria e
ganhos das partes nessa relação de longo prazo.
Vê-se
que a tarefa de se integrar os elos da Cadeia de
Suprimentos é complexa e depende da gestão das pessoas
envolvidas em cada etapa do processo, muitas vezes
muito mais importante do que o grau de tecnologia
disponibilizada (incluem-se aí, fornecedores
tradicionais, não desenvolvidos ainda para parceiros).
Mais que isso, exige informalmente um alto grau de
confiança e uma visão conjunta de potenciais melhorias
e aproveitamento de oportunidades no longo prazo pelas
empresas envolvidas.
Para
que o cliente não se torne nem o verdugo de
fornecedores interessados em se tornarem parceiros
efetivos, nem tampouco refém de fornecedores ainda sem
essa visão, a avaliação e o desenvolvimento do
fornecedor é peça-chave nas áreas de compras mais
modernas. Avaliar continuamente a experiência,
expertise, confiabilidade e credibilidade,
capacitação, eficiência, integridade, transparência,
recursos disponíveis, comportamento em caso de
contingências e processos emergenciais, ativos e
situação financeira, capacidade de otimização de
custos transacionais com freqüência disponibilizada,
filosofia empresarial, técnicas e know-how, afinidades
e atendimento aos níveis de serviço propostos, são
fatores críticos que definirão o sucesso na integração
e coordenação dos elos do Supply Chain no Brasil.
Fernando Neres Gonçalves
-
Consultor sênior
- Qualilog
fernando.neres@qualilog.com
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