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Small business
A faca e o queijo na mão
dos fornecedores de TI brasileiros
Francine Nonaka
Diretora de desenvolvimento da Dzyon
S/A
16/01/2006
Os grandes
fornecedores de tecnologia mundiais estão de olho
no potencial de crescimento do Brasil. Eles se
baseiam em pesquisas e tendências que revelam um
ambiente pronto para crescer, tanto quanto a China
e a África. No Brasil, o ambiente é amplamente
favorável, se comparado
às outras regiões observadas. O que as pesquisas
não revelam, de pronto, são as barreiras culturais
que essas grandes marcas terão de transpor para
ganhar terreno por aqui. E também, que nessa nova
fase, são as empresas nacionais, os “players”
locais, que serão as mais competitivas.
Só quem já viveu
planos econômicos ímpares, oscilações políticas e
um cenário global suscetível, sabe do que estou
falando. O investidor internacional só viu isso em
tese e não imagina do que somos capazes de fazer.
Refiro-me às dificuldades que os empresários
brasileiros vivem, ao arcar com alto custo social,
complexidade tributaria etc. Esse empresário
conhece muito bem seu produto e mercado do qual
faz parte. Mas na mente do gestor há o receio de
não conseguir arcar com os gastos de implantação
de tecnologia, por exemplo, um complexo processo
de “customização” de um sistema ERP.
O interesse das
multinacionais é angariar clientes no Brasil, mas
são as empresas brasileiras de software que estão
“com a faca e o queijo na mão”. Basta ter
consciência disso e tudo ficara mais fácil, nesse
cenário emergente, mas muito peculiar.
É fato que a
pequena empresa nacional vai precisar buscar no
mercado os recursos de TI que serão necessários
para os novos tempos. E esse movimento de expansão
ainda não ocorreu, unicamente por causa do medo
que o empresário emergente tem de comprar um
sistema de TI que, na fase de implantação lhe
quebre o caixa, ou seja, inviabilize seu negócio.
Não importa o
tamanho da empresa, ela vai precisar buscar os
recursos que serão necessários para os novos
tempos que se avizinham. Uma das premissas para
esse desenho de expansão é a flexibilidade,
peça-chave que deve nortear o desenho estratégico
do futuro próximo. Não há mágica, sorte ou
“feeling” de mercado que valha mais do que tocar
uma empresa sobre bons parâmetros de Tecnologia. O
que vale mesmo é a flexibilidade, somada à
objetividade, que serão pautadas pela lógica e por
um eficiente desenho de estrutura organizacional.
O nosso mercado
precisa de softwares inteligentes, desenhados a
partir de bases lógicas e com regras claras
embutidas em sua inteligência. O excesso de
consultoria revela que há falta de direcionamento.
O próprio Bill Gates não teria crescido
mundialmente, se cada um de seus usuários
precisasse de um consultor para auxiliá-lo nas
fases de aquisição e uso.
O mercado
brasileiro, em sua ampla gama de negócios, precisa
de empresas capazes de fornecer softwares com
regras e lógica claras
embutidas, e que, de preferência, dispensem
a figura da consultoria para sua implementação. As
regras que até hoje valeram para os grandes
“playes” do mercado sobressaírem mundialmente não
valem para o empresário brasileiro. O cenário é
favorável e a tendência de crescimento é factual,
mas a falta de recursos é componente de sucesso,
ou pior, de fracasso.
A tecnologia tem
de trazer a prosperidade para essas empresas, pois
foi para isso que ela surgiu. O processo não pode
ser diferente no Brasil.
Francine Nonaka é diretora de
desenvolvimento da Dzyon S/A.
francine.nonaka@dzyon.com |