terça-feira, 7 de setembro de 2010 - 23:02h 

 
 
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Francine Nonaka....
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Small business

A faca e o queijo na mão dos fornecedores de TI brasileiros

Francine Nonaka
Diretora de desenvolvimento da Dzyon  S/A                                                            
16/01/200
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Os grandes fornecedores de tecnologia mundiais estão de olho no potencial de crescimento do Brasil. Eles se baseiam em pesquisas e tendências que revelam um ambiente pronto para crescer, tanto quanto a China e a África. No Brasil, o ambiente é amplamente favorável, se comparado às outras regiões observadas. O que as pesquisas não revelam, de pronto, são as barreiras culturais que essas grandes marcas terão de transpor para ganhar terreno por aqui. E também, que nessa nova fase, são as empresas nacionais, os “players” locais, que serão as mais competitivas. 

Só quem já viveu planos econômicos ímpares, oscilações políticas e um cenário global suscetível, sabe do que estou falando. O investidor internacional só viu isso em tese e não imagina do que somos capazes de fazer. Refiro-me às dificuldades que os empresários brasileiros vivem, ao arcar com alto custo social, complexidade tributaria etc. Esse empresário conhece muito bem seu produto e mercado do qual faz parte. Mas na mente do gestor há o receio de não conseguir arcar com os gastos de implantação de tecnologia, por exemplo, um complexo processo de “customização” de um sistema ERP. 

O interesse das multinacionais é angariar clientes no Brasil, mas são as empresas brasileiras de software que estão “com a faca e o queijo na mão”. Basta ter consciência disso e tudo ficara mais fácil, nesse cenário emergente, mas muito peculiar.  

É fato que a pequena empresa nacional vai precisar buscar no mercado os recursos de TI que serão necessários para os novos tempos. E esse movimento de expansão ainda não ocorreu, unicamente por causa do medo que o empresário emergente tem de comprar um sistema de TI que, na fase de implantação lhe quebre o caixa, ou seja, inviabilize seu negócio.  

Não importa o tamanho da empresa, ela vai precisar buscar os recursos que serão necessários para os novos tempos que se avizinham. Uma das premissas para esse desenho de expansão é a flexibilidade, peça-chave que deve nortear o desenho estratégico do futuro próximo. Não há mágica, sorte ou “feeling” de mercado que valha mais do que tocar uma empresa sobre bons parâmetros de Tecnologia. O que vale mesmo é a flexibilidade, somada à objetividade, que serão pautadas pela lógica e por um eficiente desenho de estrutura organizacional. 

O nosso mercado precisa de softwares inteligentes, desenhados a partir de bases lógicas e com regras claras embutidas em sua inteligência. O excesso de consultoria revela que há falta de direcionamento. O próprio Bill Gates não teria crescido mundialmente, se cada um de seus usuários precisasse de um consultor para auxiliá-lo nas fases de aquisição e uso. 

O mercado brasileiro, em sua ampla gama de negócios, precisa de empresas capazes de fornecer softwares com regras e lógica claras embutidas, e que, de preferência, dispensem a figura da consultoria para sua implementação. As regras que até hoje valeram para os grandes “playes” do mercado sobressaírem mundialmente não valem para o empresário brasileiro. O cenário é favorável e a tendência de crescimento é factual, mas a falta de recursos é componente de sucesso, ou pior, de fracasso. 

A tecnologia tem de trazer a prosperidade para essas empresas, pois foi para isso que ela surgiu. O processo não pode ser diferente no Brasil.


Francine Nonaka é diretora de desenvolvimento da Dzyon S/A.
francine.nonaka@dzyon.com