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CRM
A verdadeira
ordem dos processos
Enio Klein
Diretor
K& G Sistemas
30/09/2005
Os processos de relacionamento com os clientes
fazem parte dos negócios de todas as empresas. Se
este conceito for entendido e adotado, o CRM
terá oportunidade de ser incorporado nos modelos
de gestão empresarial. A questão está em saber
definir o que vem primeiro: “Conhecer o Cliente”
ou “Gerenciar o Processo”. Este é um dilema das
empresas e dificulta a implementação de
estratégias e tecnologias para a gestão do
relacionamento com clientes.
O
ciclo de vida do cliente com a empresa, o chamado
“customer lifetime” que se inicia a partir
do primeiro contato e da primeira transação, é
composto por uma série de eventos tão comuns que,
às vezes, nos esquecemos das atividades que
precisam ser desempenhadas, para que os resultados
sejam satisfatórios para o cliente e lucrativos
para a empresa. Estas são, na verdade, o
dia-a-dia de qualquer negócio, seja comercial,
seja em prestação de serviços.
Fornecedores contatam ou são contatados por um
cliente de seus produtos ou serviços. O contato
pode ser para efetuar uma transação
comercial, para uma reclamação, para dar uma
sugestão ou solicitar uma informação. Os meios
para este contato também podem ser vários:
pessoalmente pela força de vendas, por telefone,
por e-mail, por meio da internet, em um escritório
ou em uma loja. A história desta série de contatos
acaba por se tornar um relacionamento comercial,
onde gerar demanda, vender, entregar, cobrar,
prestar serviços pós-venda e etc, são os chamados
“processos de relacionamento”.
O valor do ciclo de vida do cliente é refletido,
tanto qualitativa quanto quantitativamente, pelo
histórico dos eventos que ocorrem nos processos de
relacionamento. São estes que nos permitem obter
as informações que deverão ser utilizadas para que
possamos conhecer o cliente. Por outro lado, os
processos devem ser gerenciados conforme o
conhecimento que se dispõe e como são segmentados
e valorizados os clientes. Esta questão parece ser
a versão do dilema do “ovo e da galinha” aplicada
à gestão do relacionamento. Antes da aquisição de
tecnologias ou da revisão de processos, a solução
passa, em um primeiro momento, pela questão
conceitual.
Parece pouco provável que uma empresa que opere no
mercado com algum sucesso não tenha informações.
Estas poderão estar pulverizadas entre diversos
sistemas informatizados, mesmo que antigos, que
suportam a operação, mas os dados existem. Em uma
primeira análise é esta informação que resultará
no conhecimento atual que a empresa tem sobre seus
clientes. Na maior parte das vezes os processos
de relacionamento existem, embora nem sempre sejam
formais, e são amparados pelos mesmos sistemas
transacionais utilizados pela operação, seja ela
de “Vendas”, “Faturamento”, “Contas a Receber”,
entre outros.
Visto desta forma o cenário nos faz ver que o
dilema não é real, já que o conhecimento sobre o
cliente existe, mesmo que não esteja estruturado
da maneira adequada, ou que os processos não
estejam bem estruturados ou automatizados da
melhor forma. O primeiro passo é, portanto,
consolidar este conhecimento em uma base de
informações que faça sentido para o negócio. E,
como vimos, o negócio é composto pelos ciclos de
vida e operado pelos processos de relacionamento.
O conceito do warehouse redunda exatamente desta
necessidade. O “datawarehouse” é a ferramenta
tecnológica. Na ótica do relacionamento com
clientes, o “datawarehouse” significa consolidar
a informação demográfica e transacional
disponível, de acordo com o modelo de
conhecimento do cliente que faça sentido para o
negócio da empresa. O passo seguinte é a definição
das regras de relacionamento. Estas regras são
construídas a partir da segmentação
descritiva ou preditiva. Estamos falando aqui do
chamado “CRM Analítico”, o qual pode ser
implementado ou composto, tanto por ferramentas
OLAP (Cubos) quanto modelagem estatística de
propensão e escoragem (Datamining).
Com base nestas segmentações, ou escores, é que
poderemos especificar como os processos de
relacionamento “reagirão” em cada evento para cada
cliente individual ou para um segmento de cliente.
Para uma campanha de marketing, para as vendas no
campo ou para um atendimento de pós-venda, aqui
já estamos tratando do “CRM Operacional” e da sua
integração com o “Analítico”. O cliente terá
sempre o mesmo tratamento, qualquer que seja o
processo de relacionamento ao qual esteja
submetido, de acordo com a regra que a empresa
deseja adotar para potencializar os resultados.
A
partir deste momento, a base para a substituição
do “círculo vicioso do ovo e da galinha” pelo
“circulo virtuoso da ampliação do conhecimento
sobre o cliente” está pronta. É chegada a hora de
revisar os processos de relacionamento para que
possam, não só tornar mais eficaz a operação, mas
também captar com maior acuracidade e abrangência,
a informação sobre o cliente, demográfica e
comportamental e em todos os pontos de contato.
O
conhecimento sobre o cliente, regras e finalmente
a gestão dos processos de relacionamento fazem
parte do negócio da empresa e não partem de uma
definição de tecnologia, mas da organização dos
conceitos e da informação existente nas empresas.
A partir daí o CRM poderá ser parte do modelo de
gestão e do negócio da empresa e implementado com
ferramentas de tecnologia. Caso contrário, será
mais um sistema cujo retorno sobre o investimento
é difícil mensurar e cujos propósitos se perdem no
tempo.
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